segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Síntese da Teoria de Freud

Por volta de 1920 Freud elabora então uma teoria da personalidade que constituiu uma verdadeira revolução quanto ao modo de estruturação do nosso psiquismo. Segundo ele, seriam três as instâncias básicas da personalidade: o id, o ego e o superego.  O id designaria os impulsos, as motivações e desejos mais primitivos do ser humano. Para Freud, em grande parte esses desejos seriam de caráter sexual, tendo em mira o prazer. No início, o ser humano seria todo ele id, o organismo humano não busca mais que a satisfação das suas necessidades instintivas e através delas o prazer. O id como tal é inconsciente, embora procure alcançar a consciência para desse modo conseguir a realização dos seus desejos. O ego é o conceito que Freud utiliza para designar o conjunto de processos psíquicos e de mecanismos através dos quais o organismo entra em contacto com a realidade objetiva. O ego seria um guia do comportamento do organismo à luz da realidade a razão a busca pelo controle. É certo, que o ego faz eco das demandas do id e dos seus desejos, mas a sua função consiste em satisfazer ou não, segundo as possibilidades oferecidas pela realidade. Não é que o ego não queira o prazer que o id procura, porém às vezes reconhece que tem de suspender a sua procura sob pena de entrar em conflito com a realidade. A terceira instância da personalidade, superego, representa as normas e os valores convencionais da sociedade ou do grupo social no qual o indivíduo foi criado e em que está inserido.  Representa a sociedade dentro do próprio indivíduo, com as suas leis e normas muitas vezes fonte de embaraço e de inibição para a estrutura do ego. É evidente que as exigências do superego se opõem quase sempre aos desejos do id. Este conflito, entre o superego e o id incide diretamente no ego, já que tanto o id como o superego procuram que o ego atue de acordo com as suas próprias exigências ou desejos. Normalmente o que o ego faz é procurar uma solução de compromisso, que os satisfaça, embora parcialmente.
A partir de sua teoria, Freud resolveu tratar casos através da interpretação dos sonhos das pessoas e também através do método da associação livre, neste último ele fazia com que seus pacientes falassem qualquer coisa que lhes viessem à cabeça. Com este método ele era capaz de desvendar os sentimentos “reprimidos", ou seja, aqueles sentimentos que seus pacientes guardavam somente para si, após desvendá-los ele os estimulava a colocarem esses sentimentos para fora. Desta forma ele conseguiu curar muitas doenças da mente. Estes elementos tornaram-se as bases da psicanálise.
Freud realizou uma revolução no âmbito humano: a idéia de que somos movidos pelo inconsciente. Freud pôde observar nos seus pacientes neuróticos, que a maior parte das perturbações emocionais se deviam à existência de problemas sexuais reprimidos, embora, o conceito de sexualidade tivesse para ele um significado muito mais vasto do que lhe era atribuído pela linguagem comum.
          A revolução promovida por Freud abriu caminhos para estudos que antigamente se encontravam em um plano imaginário. A criação de um método clínico a serviço do diagnóstico e tratamento de doenças . Freud inovou em dois campos. Simultaneamente, desenvolveu uma teoria da mente e da conduta humana, e uma técnica terapêutica para ajudar as pessoas afetadas psiquicamente. A psicanálise. Seus conceitos de inconsciente, desejos inconscientes e repressão foram revolucionários; propõem uma mente dividida  dominada em certa medida por vontades primitivas estão escondidas sob a consciência e que se manifestam nos lapsos e nos sonhos. Em sua obra mais conhecida, A Interpretação dos Sonhos, Freud explica o argumento para postular o novo modelo do inconsciente e desenvolve um método para conseguir o acesso ao mesmo, tomando elementos de suas experiências prévias com as técnicas de hipnose. Freud postula a existência de um pré-consciente, que descreve como a camada entre o consciente e o inconsciente. A repressão em si tem grande importância no conhecimento do inconsciente. De acordo com Freud, as pessoas experimentam repetidamente pensamentos e sentimentos que são tão dolorosos que não podem suportá-los. Tais pensamentos e sentimentos (assim como as recordações associadas a eles) não podem ser expulsos da mente, mas, em troca, são expulsos do consciente para formar parte do inconsciente. 

Bibliografia Consultada
SHEEHY, Noel; 50 grandes Psicólogos: suas idéias suas influências:
São Paulo, EDITORA CONTEXTO, 2006

Biografia de Sigmund Freud



Sigmund Freud nasceu em 6 de maio de 1856 na pequena cidade de Freiberg, na Morávia, na época parte do império Austro-Húngaro, hoje República Tcheca. Era filho de Amalie Freud e de Jacob Freud, e filho mais velho do terceiro casamento de seu pai. quando Freud nasceu sua mãe tinha apenas 21 anos de idade e seu pai tinha 40 anos.
         Circuncidado ao nascer, o jovem Sigmund Freud recebeu uma educação judaica não tradicionalista e aberta à filosofia do Iluminismo. Freud foi um aluno muito bom em seus estudos secundários. Em 1873, ingressou  na universidade de Viena. Em 1881 formou-se  em medicina. Seu primeiro cargo como médico foi no Hospital Geral de Viena, seguido de um trabalho no laboratório de anatomia cerebral de Theodor Meynert.   No hospital, depois de algumas desilusões com o estudo dos efeitos terapêuticos da cocaína  com inclusive um episódio de morte por overdose de um amigo. Freud recebe uma licença e viaja para a França, onde trabalha com Charcot, um respeitável psiquiatra do hospital psiquiátrico Saltpêtrière que estudava a histeria. De volta ao Hospital Geral e entusiasmado pelos estudos de Charcot, Freud passa a atender, na maior parte, jovens senhoras judias que sofriam de um conjunto de sintomas aparentemente neurológicos que compreendiam paralisia, cegueira, parcial, alucinações, perda de controle motor e que não podiam ser diagnosticados com exames. O tratamento mais eficaz para tal doença incluía, na época, massagem, terapia de repouso e hipnose.
Em Setembro de 1886 em Hamburgo, Freud casou-se com Martha Bernays, tiveram seis filhos. Um deles, Martin Freud, escreveu uma memória intitulada Freud: Homem e Pai, na qual descreve o pai como um homem reservado, porém, amável, que trabalhava extremamente, por longas horas, mas que adorava ficar com suas crianças durante as férias de verão. Anna Freud, filha de Freud, foi também uma psicanalista destacada, particularmente no campo do tratamento de crianças e do desenvolvimento psicológico.
A classe médica em geral acaba por marginalizar as ideias de Freud inicialmente; seu único confidente durante esta época é o médico Wilhelm Fliess. Depois que o pai de Freud falece, em outubro de 1896, segundo as cartas recebidas por
Fliess, Freud, naquele período, dedica-se a anotar e analisar seus próprios sonhos, remetendo-os à sua própria infância e, no processo, determinando as raízes de suas próprias neuroses. Freud chega à conclusão de que seus próprios problemas eram devidos a uma atracão por sua mãe e a uma hostilidade ao seu pai. É o famoso "complexo de Édipo", que se torna o coração da teoria de Freud sobre a origem da neurose em todos os seus pacientes. Nos primeiros anos do século XX, são publicadas suas obras A Interpretação dos Sonhos e A Psicopatologia da Vida Cotidiana. Nesta época, Freud já não mantinha mais contato nem com Josef Breuer, nem com Wilhelm Fliess. Freud morreu de câncer aos 83 anos de idade no dia 23 de setembro de 1939. 

SHEEHY, Noel; 50 grandes Psicólogos: suas idéias suas influências:
São Paulo, EDITORA CONTEXTO, 2006

O abuso sexual de crianças e adolescentes


     O abuso sexual de crianças e adolescentes é um crime hediondo. É identificado em todas as camadas sociais, independente de condição econômica, sexo, raça e idade. Esse tipo de violência contra o menor consiste na participação de crianças e adolescentes na prática de atos libidinosos com pessoas adultas. Nessas práticas sexuais, o menor serve de objeto de prazer para satisfazer as taras dos adultos. A vítima é forçada a se submeter a esta violência sem ter maturidade suficiente para compreender o que está acontecendo.
     O abuso sexual se caracteriza por diversas formas em suas expressões; são elas: nudez, exposição da genitália, carícias, toques, penetrações digitais, sexo oral, vaginal, anal, relacionamento sexual grupal, shows e filmagens pornográficas com participação de animais e objetos. Além disso, o silêncio das vítimas motivado por ameaças a sua vida e a de seus familiares, caracteriza esse crime como grave, perverso e difícil de ser descoberto.
     Os primeiros relatos sobre crimes dessa natureza datam da década de 60, embora o assunto já tenha sido abordado em 1919, em um artigo escrito por Freud. Medicamente o abuso sexual é dividido em duas patologias: a pedofilia (abuso de crianças) e a hebefilia (abuso de adolescentes). Na maioria dos casos os agressores são membros da família e pessoas conhecidas da família da vítima, como empregados da residência, amigos da família, parentes consaguíneos, pais, educadores e etc. Na maioria desses casos os agressores são do sexo masculino e difíceis de serem identificados, pois são oriundos de todas as raças e níveis sociais. Além disso, o acusado na maioria dos casos sofreu violência sexual na infância ou na adolescência e acabam por se tornar também agressores sexuais.
     A relação mais comum e mais frequente em casos policiais dessa natureza é a relação entre pai e filha, embora também seja comum, porém, pouco noticiada nas manchetes policiais e nos prontuários médicos, a relação incestuosa entre irmãos.  A maioria desses casos de incesto ocorre em um ambiente familiar marcado pelo domínio do pai, que controla a todos pela força e pela coerção e também pela conivência e o silêncio da mãe, o que dificulta a descoberta do crime.
     O diagnóstico do crime é possível por meio do comportamento e outras manifestações da criança, que podem sugerir abusos sexuais, por exemplo: interesse precoce por brincadeiras sexuais, aversão a atividades ou brincadeiras de conotação sexual; medo de ficar sozinha (gruda demais em outras pessoas); comportamento emocionalmente regressivo, como chupar dedo, agarrar-se a uma frauda, evita sair de casa, fantasias suicidas, depressão, calor, criação de um mundo e de um amigo imaginários e promiscuidade. Outras possibilidades que devem ser consideradas são: terror e pavor noturnos; sonambulismo; medo de adormecer e ser atacado; dificuldade em confiar em outras pessoas; ansiedade; medo do sexo oposto, agressividade, hostilidade, destrutivo; hiperativo; postura de pessoa madura; isolamento; dificuldade em manter ou estabelecer amizades construtivas; submissão; obediência ao extremo; dificuldade em expressar desejos, sentimentos e vontades. Os adolescentes tendem ao uso de drogas lícitas e ilícitas e tornam-se em alguns casos dependentes químicos. As drogas funcionam como um meio de aliviar as tensões, os traumas, a depressão e outros sentimentos dolorosos decorrentes do abuso sexual e da violência. Na criança, quanto mais rápido for identificado o abuso, mais rápido será o processo de acompanhamento e intervenção na realidade.
     O tratamento das vítimas de abuso sexual é feito principalmente por meio de terapias. Estas podem ser aplicadas por alguns profissionais, como: pediatra, assistente social, psicoterapeuta, padre, orientador educacional e etc. A família da vítima também deve passar por tratamento terapêutico, pois ela é quem vai estar ao lado do menor durante o processo de recuperação, acompanhando a sua evolução emocional. Essa terapia com o menor deve ser desenvolvida de maneira individual em paralelo com a trabalho realizado com a família e só mais tarde os dois podem ser inseridos no mesmo grupo. Essa união da família com o menor é um fator importante no processo de recuperação. 
     O agressor deve também passar por tratamento para evitar que volte a molestar sexualmente menores. É importante salientar que o agressor não deve apenas cumprir uma pena imposta pelo estado. Este deve fornecer tratamento psicológico adequado e reintegra-lo a sociedade. Isto é uma das formas de prevenção; evitar a reincidência. Outras formas são: a educação sexual nas escolas, igrejas e associações, como forma de ensinar aos menores que somente eles tem direito sobre o seu corpo e que ninguém pode tocá-lo sem o seu consentimento; implantação de serviços de ajuda por telefone e Internet, que deve funcionar também como meio de denunciar os abusos e os agressores; tratamento para famílias incestuosas; centros de prevenção para crises em estupro, visando o atendimento de mulheres menores vítimas desse tipo de abuso, que se sentem constrangidas em procurar ajuda no início; programas de orientação e educação de familiares e futuros pais, promovidos por instituições religiosas, associações e hospitais; envolvimento das empresas de comunicação de massa (rádio, jornais, televisão, revistas) em campanhas de combate, prevenção e orientação sobre abuso sexual de menores.
     É de suma importância que toda a sociedade se envolva de forma sistemática no combate e principalmente na prevenção deste crime perverso e covarde, que fere a honra e a dignidade do ser humano.                           

 Bibliografia Consultada

RIBEIRO, Marcos. (org.). O Prazer e o pensar. São Paulo: Gente, 1999. Vol. 2

Contribuições de Morim para a educação.


Neste capítulo apresento algumas contribuições de Edgar Morin para a educação a partir da abordagem dos efeitos nocivos do pensamento fragmentado na educação.
Dentro do contexto atual de crise e possibilidades, Morin sugere a transdisciplinaridade como maneira de romper os limites do isolamento e do reducionismo do saber, que o fragmenta e o inibe. Afirma que é urgente se ressituar o saber, que no momento está parcelado, mutilado e disperso, fruto da especialização promovida e difundida desde o século XIX.
Os efeitos desse fragmentismo se refletem, hoje, na educação de várias formas  e manifestações, e permeiam consequentemente, o currículo das escolas. Segundo Morin,  as crianças aprendem história, geografia, química, física e biologia dentro de categorias isoladas, sem saber que a história se situa dentro de espaços geográficos e que cada espaço ou paisagem geográfica é fruto de uma história terrestre que envolve fenômenos físicos, químicos e biológicos. O resultado desse saber parcelado e  fragmentado, é que o currículo através de suas várias disciplinas não favorece a comunicação e o diálogo entre os saberes, dificultando a perspectiva de conjunto que favorece a aprendizagem. Morin, sugere a interligação de todos os saberes, para que o aluno tenha uma visão  geral, e não uma visão fragmentada.  Defende que a escola deve definir o seu papel no atual contexto histórico, social, e político, carecendo construir sua identidade. Esse processo de construção da identidade na escola, só é possível, contudo, se as pessoas envolvidas nessa construção quiserem de fato realizá-la, cultivando-se , melhorando-se, e também aprendendo dia a dia. É necessário que cada indivíduo membro da comunidade escolar utilize a sua auto-afirmação e o autoconhecimento na construção de sua própria identidade. Através desse processo organizador de autoconhecimento, o sujeito transforma-se, constroi sua própria identidade e aprende sempre, colocando o seu aprendizado em função de seu meio ambiente. Sendo assim, tanto educadores como escola, não podem perder de vista que a construção da indentidade da escola deve passar primeiramente, pela construção da indentidade individual de cada membro. Para Morin o ato de aprender não significa apenas transformar o desconhecido em conhecimento, é a conjunção do reconhecimento e da descoberta. O conhecimento está naturalmente ligado a vida, fazendo parte da existência humana. O ato de conhecer está presente nos fenômenos biológicos, cerebrais, espirituais, culturais, ligüísticos, sociais, políticos e históricos, por isto o ser condiciona o conhecer, e este condiciona  ao mesmo tempo o ser. A partir  desse pensamento, Morin afirma que o conhecimento envolve características subjetivas, individuais e existenciais, além das objetivas que são orientadas  pela razão, pois tratando-se de experiências e ações humanas não se pode separá-las da emoção. Morin, afirma que é necessário  considerar os aspectos como paixão, dor e prazer no ato do conhecimento. Alerta para que se tenha  cautela na busca pelo conhecimento; é importante que preocupações com a ética, consigo mesmo e com o outro sejam observadas.
Com relação ao uso das novas tecnologias na educação,  Morin faz uma comparação entre o conhecimento que o computador produz e o produzido pelo homem; diz que o computar não produz conhecimento subjetivo, é uma máquina submetida as intenções, desejos, projetos e  finalidades dos seres e dos grupos humanos que o criaram; já com os seres humanos não é isso que ocorre, sua dependência está associada a sua autonomia e aos seus próprios desejos.
Izabel Petraglia, diz no seu livro(2008, p.82)  que o sentido do trabalho de Edgar Morin é provocar a reflexão da educação, pautada na consciência da complexidade presente em toda a realidade, ou seja, é fundamental para o professor, que ele compreenda a teia de relações existente entre todas as coisas, para que possa pensar a ciência una e múltipla, simultaneamente. Afirma ainda que o subsídio de seu pensamento para a educação está na teoria e na prática, do “tudo se liga a tudo” e é no “aprender a aprender” que o professor pode transformar sua ação numa prática pedagógica transformadora. 
Essa contribuição para a educação, aponta para um caminho que transcende em seus limites e possibilidades, propondo a prática transdisciplinar. Morin, entende por “transdisciplinaridade” o intercâmbio e as articulações entre as disciplinas. Essa prática possibilita a superação de toda e qualquer fronteira que reprime, reduz e isola o saber em territórios delimitados.
No processo de construção do conhecimento dentro do ambiente escolar, deve ficar bem claras para todos(alunos e professores) todas as relações que, de alguma forma se fazem presentes nas ações pedagógicas.
Morin, lembra que a história das ciências é marcada pela transdisciplinaridade, cita como exemplo as grandes unificações transdisciplinares marcadas com os nomes de Newton, Maxwell, Einstein e o esplendor de filosofias subjacentes(empirismo, positivismo, pragmatismo) ou de imperialismos teóricos(Marxismo, freudismo).
Dentro desse contexto, devem ser refletidas e ampliadas as discussões acerca da importância das relações entre as disciplinas; entre a disciplina e o curso; entre a disciplina e a vida, a fim de  não se estimular a elaboração de conhecimentos parcelados oriundos do pensamento linear e simplista, promovendo a construção de um saber uno, considerando que um todo é composto por muitos aspectos. Izabel Petraglia, diz que a partir do trabalho de Morin, podemos perceber que é fundamental que na escola fiquem claras algumas distinções da prática pedagógica cotidiana; distinguir e não separar ou disjuntar; associar e interligar e não reduzir ou isolar; complexificar e não simplificar.
Sobre a formação dos professores, Morin reconhece que muitos profissionais da educação, encontram-se num estado de morosidade, rotina, subserviência e embrutecimento. Para mudar essa realidade, ele propõe que os professores iniciem um movimento, mesmo de forma individual e solitária, de “reforma do pensamento”; reforma que deve partir do pensamento simplista e linear para um pensamento complexo.
Morin, sugere que os professores devem ir em busca do conhecimento e da formação necessária para atuar na prática transdisciplinar; deve cultivar-se sempre. Deve ser um autodidata, partindo do estudo do que chama de novo tipo de ciência: ecologia, ciências da terra e cosmologia. Acredita que dessa maneira, o ser humano, através da educação, será capaz de reformular seu pensamento e  refletir-se conscientemente.     
Aos alunos, Morin recomenda o ensino do que ele chama de novo tipo de ciência: ecologia, ciências da terra e cosmologia.
Ecologia, porque segundo ele, podemos extrair da ecologia ensinamentos que nos permitem pensar e agir de uma maneira diferente em relação ao meio em que vivemos. Na opinião dele, esta seria uma das ciências de base da escola primária, muito mais importante do que ensinar às  crianças as ciências naturais.
As ciências da terra, envolvem a ligação entre várias ciências, como a meteorologia, a vulcanologia, a sismologia, a geografia e a geologia. Essas ciências podem se comunicar sem por isso se unificar em visão reducionista; elas se comunicam porque a terra é um sistema vivo. Não vivo como um ser vivo, como somos todos nós, mas um ser vivo que tem sua própria vida e sua própria história. Segundo Morin, é um objeto central para se ensinar as crianças e ele pensa que é muito mais apaixonante para uma criança,  ver e entender como  coisas tão diversas são reais.
A cosmologia é um dos principais prolongamentos da moderna astrofísica, que estuda, entre outras coisas relacionadas ao universo, a origem do universo e do seu futuro. Edgar Morin, diz que através do ensino da cosmologia podemos fazer com que uma criança compreenda que tudo de que o universo é composto formou-se desde os primeiros segundos da sua criação; que suas próprias partículas e moléculas também são muito antigas, que o carbono de que ele é feito provém de sois anteriores... Nós somos totalmente filhos deste universo, mesmo sendo diferenciados.
E importante fazer com que as crianças aprendam sobre a origem do universo, e, consequentemente sobre a sua própria origem.

Bibliografia Consultada

PETRAGLIA, Izabel. Edgar Morin: a educação e a complexidade do ser e do saber.    10. ed. Revista e ampliada. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.


Destaques do pensamento de Edgar Morin.


Edgar Morin é o pai da teoria da complexidade. Na educação o seu pensamento consiste na complexidade do ser e do saber. Sua teoria surgiu da constatação de que o planeta vive hoje uma crise sob todos os aspectos – agonia planetária - ela é composta pelos caracteres de perigo e oportunidades; perigo pela destruição que vem ocorrendo entre a natureza e os seres humanos e oportunidade, como caminho para a transformação. Para essa transformação Edgar Morin,  aponta o paradigma da complexidade, que influi na educação, que abrange todas as áreas do conhecimento.
Afirma a necessidade urgente de um modo novo de pensar que seja complexo frente ao pensamento simplista e fragmentado dos dias atuais. Um pensamento que permita às pessoas  compreenderem que os limites e as insuficiências de um pensamento simplificador não exprimem as idéias de unidade e diversidade presentes no todo. Segundo Morin, o todo é complexo, como as partes. Essa complexidade está presente em todo o universo. É o que justifica os princípios  da ordem, da desordem e da organização dos sistemas. Izabel Petraglia, estudiosa da vida e da obra de Edgar Morin, diz que a estrutura do pensamento de Morin é pautada em uma espistemologia  da complexidade que engloba quantidades de unidade, interações diversas e adversas, incertezas,  indeterminações e fenômenos aleatórios.
Seu trabalho consiste na sistematização da crítica ao saber e ao ensino fragmentado. Através da complexidade Morin defende a interligação de todos os saberes.
Em sua obra mais importante e mais extensa, “O Método” - 6 volumes, está registrado detalhadamente todos os passos que sistematiza a sua teoria da complexidade.
Izabel Petraglia, aborda em seu livro cinco reflexões de Morin, que merecem destaque. A primeira é acerca da ciência e da vida, na qual Morin afirma que o saber científico necessita  de objetividade e método próprio para a observação e verificação de qualquer matéria.  Entretanto, deve-se levar em consideração, que toda essa objetividade em relação aos dados coletados e estudados, traz consigo uma variedade enorme de pensamentos, teorias e paradigmas que nos levam a reflexão bioantropológica do conhecimento, e para a reflexão das teorias nos aspectos culturais, sociais e históricos. O desenvolvimento da ciência é algo complexo, pois engloba inúmeros e diferentes aspectos e variáveis que norteiam esse desenvolvimento. A ciência deve ser benéfica para a humanidade e não destruidora, aniquiladora e tirana; para isto é necessário que haja  o diálogo reflexivo e crítico das inter-relações entre ciência, sociedade, técnica e política. Dessa relação surge a necessidade de se refletir sobre nós mesmos e a nossa participação no universo sociocultural.  A segunda reflexão é sobre o que significa para Morin a complexidade do real na construção do conhecimento multidimensional. Para ele, pensamento complexo é aquele que considera  todas as influências recebidas: internas e externas. A complexidade integra os modos simplificadores  do pensar e consequentemente nega os resultados mutiladores, unidimensionais e reducionistas. Cabe ao ser humano através da produção do conhecimento, interpretar os diversos aspectos  da ambigüidade, sem contudo desconsiderar a multidimensionalidade do real, ou seja, os diversos caracteres do fenômeno.
O pensamento complexo é o responsável pela ampliação do saber. Se o pensamento for fragmentado, reducionista e mutilador, as ações terão o mesmo rumo, tornando o conhecimento cada vez mais simplista e simplificador. Isso ocorre devido a inseparabilidade  do conhecimento e da ação, pois todo conhecimento cerebral, elabora e utiliza estratégias para solucionar problemas .
Na concepção de Morin sobre complexidade, é preciso pois, que sejam extintas as idéias simplistas, reducionistas e disjuntivas, superando-as. Para isso, é necessário que sejam aprendidas  as noções de ordem, desordem e organização, presentes nos sistemas complexos.  Essas três noções são o assunto da terceira reflexão, na qual, Morin nos coloca a necessidade de pensarmos sobre a  complexidade da realidade física, biológica e humana, visto que estas três noções  estão presentes no universo e na sua formação; na vida, em sua evolução biológica e na história humana.
Na quarta reflexão, Morin apresenta três noções também presentes na complexidade: noção de sujeito, autonomia e auto-eco-organização. Para ele a noção de sujeito compreende uma definição subjetiva e biológica, simultaneamente; não podendo ser reduzida a uma concepção humanista, metafísica e antimetafísica. A concepção de sujeito é a qualidade própria do ser vivo que busca a auto-organização, pertencente a uma espécie situada num espaço e num tempo, e membro de uma sociedade ou grupo. Para reconhecer-se como sujeito e membro desse grupo, o sujeito necessita de um objeto. É a partir dessa dependência que sujeito e objeto surgem da realidade complexa.
O conceito de autonomia está em estreita relação como conceito de dependência, ou seja, para sermos nós mesmos necessitamos de fatores externos a nós. O ser humano vive a construção de sua própria identidade, que pressupõe a liberdade e autonomia, para tornar-se sujeito, a partir de dependências que alimenta, necessita ou tolera, como a dependência da família, da escola,  da linguagem, da cultura, da sociedade. Concentra em si um misto de  autonomia,  liberdade e heteronímia. Esta capacidade do sujeito o torna auto-organizador de seu processo vital e não exclui a dependência relativa ao mundo exterior, aos grupos, a sociedade e ao ecossistema. Então a auto-organização é na verdade auto-eco-organização, porque a transformação extrapola o seu ser.
Na  quinta reflexão, Morin considera que a humanidade está vivendo um momento crítico, a que chama de agonia planetária, e nos adverte para a necessária tomada de consciência de que a ética está associada à solidariedade, única arma que dispomos para que a humanidade  possa efetivamente tornar-se humanidade nesse novo milênio. Acrescenta  que é preciso que se questione  os efeitos colaterais do desenvolvimento da ciência, da razão e da técnica que fizeram do ser humano uma espécie de certa forma, automatizada, individualista, egocêntrica  e que perde gradativamente a noção de solidariedade. Essa perda gradativa de solidariedade torna os seres humanos cada vez mais infelizes nas relações interpessoais ao se depararem com os próprios limites diante da supremacia da emoção e do inexplicável.
Diante desse contexto de crise, Morim propõe a reflexão sobre o papel da educação. De que forma a educação pode contribuir para superar essa agonia planetária?

Bibliografia Consultada


PETRAGLIA, Izabel. Edgar Morin: a educação e a complexidade do ser e do saber. 10. ed. Revista e ampliada. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.






Biografia de Edgar Morin


Edgar Morin nasceu em 08 de Julho de 1921, na cidade de Paris, na França. É filho de pais espanhois de religião judaica. A sua infância é marcada pelo preconceito e as humilhações que sofria na escola devido a sua origem judaica. Aos nove anos de idade, perdeu a sua mãe e passou a conviver também com tristeza provocada pela morte de sua genitora. A dor e o sofrimento o levam a cultivar a saudade e a esperança de dias melhores.
O seu pai era um modesto comerciante, que procurava transmitir-lhe sua moral e seus valores através de sua experiência de vida fundamentada no trabalho e no respeito a vida.
Com pouco mais de treze anos de idade, já buscava fervorosamente o saber e a cultura através de diversas e variadas leituras, com o objetivo de aprender e descobrir. Foi muito influenciado pelo romantismo e pelo racionalismo, que serviram para reforçar a sua crença no amor e na razão, valores que orientam sua vida, seu pensamento e sua obra.
Na adolescência foi influenciado pelo comunismo, pois lhe pareceu a solução e o caminho para atingir seus ideais e objetivos. Com dezenove anos, filia-se ao partido comunista, onde permaneceu por dez anos, sendo expulso em 1951, por divergências em relação ao estalinismo e críticas ao dogmatismo.
Em seu ingresso na faculdade, dedicou-se com afinco as ciências sociais. Graduou-se em Economia, Política, História, Geografia e Direito. Dedicou-se muito a Economia Política, pois tinha o projeto pessoal de fazer, através da Política, a humanização do processo econômico.
Concluiu os estudos em 1942 e logo em seguida ingressou como voluntário combatente das forças francesas de 1942 a 1944, ocupando o posto de tenente.
Foi representante do Estado Maior do Primeiro Exército Francês na Alemanha, em 1945. Nesse mesmo ano casa-se com a socióloga francesa Viollete Chapellaubeau. No ano seguinte torna-se  chefe da Acessoria de Comunicação e Imprensa do governo militar francês na Alemanha. Neste mesmo ano, publicou o seu primeiro livro L`an zero de l`Allemagne(O Ano zero da Alemanha), pela Ed. La Cité Universelle; obra sociológica, de cunho jornalístico que retratava os horrores da Guerra na Alemanha.
Da sua união com Viollete Chapellaubeau, nasceram duas filhas: em 1947, Irene   Chapellaubeau Nahoun e, em 1948, Veronique Nahoum.
De 1948 a 1963, desenvolve vários trabalhos literários e várias atividades jornalísticas. Em 1957, funda a Revista Arguments em sociedade com alguns amigos. O objetivo da revista era  fazer críticas à realidade sob os aspectos sociais, políticos, artísticos, literários, científicos e humanos.
Em 1963, Edgar Morin, casa-se com a artista plástica de origem quebecoise-caribenha Joahnne, com quem viaja ao Brasil diversas vezes.
De 1978 a 1975, integrou um grupo de estudos chamado “Grupo dos Dez”, onde entrou em contato com as três teorias, que viriam mais tarde, fundamentar as suas idéias sobre a teoria da complexidade: cibernética, teoria da informação e teoria dos sistemas.
Em 1973, publica o livro L`paradigme perdu: la nature humaine(O paradigma perdido:  a natureza humana). Este livro foi o ponto de partida para a construção do “Método”, série de livros, onde Edgar Morin explica minuciosamente a sua teoria da complexidade.
Em 1973, torna-se co-diretor do CETSAS – Centro de Estudos Transdiciplinares, Sociologia, Antropologia e Semiologia que mais tarde viria a se chamar CETSAH - Centro de Estudos Transdiciplinares, Sociologia, Antropologia e História da EHESS – Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, em Paris, e ligado ao CNRS – Centro Nacional de Pesquisa Científica.
Morin, permaneceu no CETSAH até 1989, mais ainda colabora ativamente. Nesse mesmo período assume a direção da Revista Communications, com o intuito de orientar e divulgar os trabalhos das investigações transdiciplinares da Ciência e sua complexidade.
Em 1977, é publicado o primeiro volume de sua mais importante obra “O Método”, que foi  concluído em 2004, com a publicação do sexto e último volume. Nesse período o escritor se dedicou também a outros trabalhos literários complementares, sob o prisma da complexidade do pensamento.
No início da década de 80, Morin casa-se pela terceira vez, desta, com a sua amiga dos anos 60 Edwirges Lanegrav.
A partir de 1998, Morin dedica-se com afinco a educação e a assume como responsabilidade cidadã e planetária.
Em 1999, cria a “Cátedra Intinerante UNESCO ´Edgar Morin` - para o pensamento complexo” com sede na Universidade de Salvador, em Buenos Aires, e funda com Cândido Mendes a “Academia da Latinidade”, sediada no Rio de Janeiro.
Edgar Morin recebeu vários prêmios ao longo de sua vida, entre os quais destacamos O  Prêmio Europeu de Ensaio Charles Veillon – 1988; Prêmio Via-Régio Internacional – 1989; Palma de Ouro no Festival de Struga – 1990 e Prêmio Europeu da Mídia pela Cultura – 1991. É Doutor Honoris Causa pelas Universidades de Perugia, Palermo e Milão na Itália; Universidade de Genebra, na Suíça; Universidade de Bruxelas, na Bélgica; Universidade Tecnológica de La Paz, na Bolívia, e várias outras.
No Brasil também recebeu o título de Doutor Honoris Causa em diversas Universidades, dentre elas: Universidade de Cândido Mendes, no Rio de Janeiro; Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul; Universidade Federal do Rio Grande do Norte; Universidade Federal da Paraíba e Universidade Federal de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul.
Atualmente Edgar Morin, é presidente da APC – Associação para o Pensamento Complexo, em Paris, e presidente da Agência Européia para a Cultura, da UNESCO.    

Bibliografia Consultada


PETRAGLIA, Izabel. Edgar Morin: a educação e a complexidade do ser e do saber. 10. ed. Revista e ampliada. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.